Há olhares que atravessam.
Outros repousam.
Alguns chegam como quem volta para casa.
E existem aqueles raros, quase milagrosos, que reconhecem em você algo que nem você sabia que existia.
Eles enchergam o avesso, o que vibra quieto, o que lateja escondido.
Esses olhares revelam.
Quando dois olhos se encontram do jeito certo, o tempo se curva. As horas balançam como folhas presas ao vento. O corpo tenta fingir normalidade, mas a alma denuncia o descontrole, abrindo portas que você pensou ter trancado para sempre.
É um convite mudo, uma confissão luminosa, uma poesia que se escreve sozinha sem precisar de papel.
A verdade é que ninguém mente com os olhos.
Eles carregam a memória do que te partiu e a centelha do que ainda pode te curar.
Cada brilho conta uma saudade. Cada sombra abriga um medo antigo. Cada desvio guarda uma história que ainda dói. E mesmo assim, teimosamente, eles continuam tentando dizer o que você tenta esconder.
Falar com os olhos é uma arte delicada. É tocar o outro sem encostar. É anunciar presença sem interromper o silêncio. É murmurar um desejo no intervalo de um piscar. É o tipo de poesia que nasce sem caneta, mas que deixa marca de tinta eterna na alma de quem recebe.
E se um dia você encontrar um olhar que te lê como se já soubesse o capítulo inteiro, cuide. É raro. É forte. É quase perigo.
Mas é também a forma mais bonita de ser visto no mundo.
@poesianua

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