23/06/2026
O Beijo
22/06/2026
A arte de falar com os olhos
Há olhares que atravessam.
Outros repousam.
Alguns chegam como quem volta para casa.
E existem aqueles raros, quase milagrosos, que reconhecem em você algo que nem você sabia que existia.
Eles enchergam o avesso, o que vibra quieto, o que lateja escondido.
Esses olhares revelam.
Quando dois olhos se encontram do jeito certo, o tempo se curva. As horas balançam como folhas presas ao vento. O corpo tenta fingir normalidade, mas a alma denuncia o descontrole, abrindo portas que você pensou ter trancado para sempre.
É um convite mudo, uma confissão luminosa, uma poesia que se escreve sozinha sem precisar de papel.
A verdade é que ninguém mente com os olhos.
Eles carregam a memória do que te partiu e a centelha do que ainda pode te curar.
Cada brilho conta uma saudade. Cada sombra abriga um medo antigo. Cada desvio guarda uma história que ainda dói. E mesmo assim, teimosamente, eles continuam tentando dizer o que você tenta esconder.
Falar com os olhos é uma arte delicada. É tocar o outro sem encostar. É anunciar presença sem interromper o silêncio. É murmurar um desejo no intervalo de um piscar. É o tipo de poesia que nasce sem caneta, mas que deixa marca de tinta eterna na alma de quem recebe.
E se um dia você encontrar um olhar que te lê como se já soubesse o capítulo inteiro, cuide. É raro. É forte. É quase perigo.
Mas é também a forma mais bonita de ser visto no mundo.
@poesianua
04/01/2026
Livre
Livre
Houve um tempo em que liberdade parecia distância.
Hoje eu sei: liberdade é presença sem prisão.
É caminhar sem precisar provar nada,
sentir sem pedir permissão,
ficar — ou partir — por escolha, não por medo.
Ser livre é quando o afeto não pesa,
quando o silêncio não dói,
quando o outro não ocupa o lugar que é meu.
É respirar fundo mesmo quando o mundo aperta,
é não precisar de atalhos emocionais,
é caber inteira dentro das próprias decisões.
Ser livre não é ausência de amor.
É amor que não exige sacrifício de si.
E talvez a maior liberdade que exista
seja essa:
sentir profundamente
e ainda assim permanecer de pé,
lúcida,
em paz com o que foi
e aberta apenas ao que pode ser.
Texto: Adriana Oliveira
Feliz 2026!

